Monday, June 6, 2011

Escher no CCBB-SP: vá lá e volte

Panorâmica dentro
do CCBB: a única
função interessante
desse celular

Bom, o Escher.

Nascido em uma família holandesa abastada, três anos antes do início do século XX, viveu na Itália durante 13 anos. Na terra do "ma che!", foi feliz como nunca: em Abruzzo, colecionou memórias que somente um dia fariam sentido. Ainda assim, manteve muitas delas devidamente guardadas.
Arabescos do interior de Alhambra

Casou-se com Jetta Umiker em 1924, com quem teve três filhos. Nesse interim, mudou-se para Roma e passou a fazer uma série de viagens. Na Espanha, conheceu o interior da decoração moura de Alhambra e pirou com as repetições de padrões geométricos que lá encontrou. Pediu pra esposa ajudá-lo a copiar os desenhos, inclusive. Ao voltar, comentou com seu irmão sobre os desenhos, repetições de padrões que se assemelhavam à natureza de alguma forma, e este o indicou estudar um pouco sobre cristalografia, onde aprendeu sobre o conceito dos 17 planos de simetria.

Seu fascínio pelos estudos geométricos e suas reverberações na natureza tornou a dedicação à sua família [bastante] secundária, o que parece ter sido o ponto mais questionável (e mais destacado na exposição) da sua vida privada. Não deve ter sido fácil, mas, em algum momento, ele preferiu dar toda a dedicação ao trabalho.

Saiu da Itália quando da eclosão da II Guerra, ao ver que seu um dos seus filhos desfilava com o uniforme facista (pelo menos...). Para safar a família, foi pra Suíça, onde o albedo praticamente sufocou sua criatividade. Lá, era o branco, não mais que acinzentado: só virava preto com a noite ou azul com o céu. Morto por dentro, foi para a Bélgica, ainda durante a guerra, onde se reencontrava frequentemente com seu mentor, o judeu Samuel Jessurun de Mesquita. Este, levado pelos nazistas a Auschwitz, talvez somente seja conhecido hoje devido aos diários de Escher, bem como pelo zelo seu que pupilo teve quando visitou sua casa: ao chegar, Escher notou que por ali soldados tinham passado e levado a quem ali vivesse; recolheu todos os quadros que pôde e os guardou por toda a vida.

Na Bélgica, Escher produziu a maioria dos seus quadros famosos, aplicando ao máximo toda sua técnica. Cada vez mais obstinado e recluso, todos os largaram (ou foi o contrário?), enquanto a perfeição e o mergulho nas desconstruções das três ou quatro dimensões era cada vez mais profundo. Morreu em 1972, e deixou inspiração suficiente pra um sem número de interessados em artes gráficas: quer xilo/ lito/ oleografia? Tem. Preto, branco, RGB/CMYK? Tem.

Aqui só está um pouco do sujeito que fez tudo aquilo, falta conferir a obra. Vá.

Exposição de M. C. Escher (que não se perca pelo nome)
De 19 de abril a 17 de julho
Centro Cultural Banco do Brasil - SP
Grátis (mas o chocolate quente é caro)